domingo, 24 de outubro de 2010

Uma Democracia de costas para o futuro.


Em 1984, após 20 anos de Ditadura Militar, iniciou-se a transição para o regime democrático no estado brasileiro, na ocasião, foi eleito o primeiro presidente civil, pelo processo de eleições indiretas. Há 22 anos foi promulgada nossa atual Carta Magna, a famosa “Constituição Cidadã”, na oportunidade, o presidente da Assembléia Nacional Constituinte, Ulysses Guimarães, afirmou: “A Constituição quer mudar o homem em cidadão (...) Só é cidadão quem ganha justo e eficiente salário, lê e escreve, mora, tem hospital e remédio, lazer quando descansa...”. Desde então, cientistas políticos e diversos pensadores brasileiros tem discutido abertamente essa democracia, os questionadores acerca da matéria apontam que; “Só há Democracia onde a liberdade política convive com a igualdade social”. É verdade que nossa democracia ainda está engatinhando, talvez por isso, a instabilidade político/social sempre tem perseguido a tranqüilidade de nosso país, no decorrer destes anos tivemos o desprazer de vivenciar, um Impeachment e vários momentos críticos em nossa política nacional.

Etimologicamente a palavra “democracia” que dizer Governo do povo, sendo assim, em um regime democrático os olhares deveriam ser voltados totalmente para o povo, não “o povo minoria”, os abastados que detém o poder aquisitivo, os que financiam as milionárias campanhas eleitorais, essa democracia não é a democracia fiel ao sentido original do termo, o regime democrático que almejamos e nos referimos é o da democracia de todos, uma que integre os “excluídos”, aqueles que não participam da partilha do “bolo”, aqueles que não comem nem as migalhas que sobram dos amontoados de “pizzas” que circularam até hoje no congresso nacional.

Buscamos além de uma Democracia política séria (tendo em vista que a nossa só é séria e só existe no papel, pois os representantes do povo são representantes inacessíveis, que usurpam e compram a cada quatro anos os sonhos de uma sociedade sofrida e má acostumada que não tem consciência de seu poder), uma Democracia acima de tudo social, que saia do “Aurélio” e penetre dentro das casas e “sente-se” a mesa da cada cidadão, uma Democracia social pressupõe uma classe trabalhadora muito bem organizada, um alto grau de consenso a respeito das questões decisivas para o desenvolvimento social e econômico do país e uma sociedade com capacidade de planejamento.

Nós não podemos festejar uma Democracia no Brasil enquanto quase 50% de nossa população continuam semi-analfabeta, enquanto as desigualdades regionais continuarem muito acentuadas, onde o Direito a educação de qualidade, ao lazer, a saúde, a igualdade, a segurança... ( Que são direitos constitucionais, Art. 5° CF) continuarem sendo privados e inalcançáveis pelo povo, certa vez o grande sociólogo Betinho afirmou que democracia ou serve para todos, ou ela não tem serventia para alguma. Precisamos, sobretudo de políticas públicas que assistam os desfavorecidos e os “intocáveis”, necessita-se de investimento na base (Educação), não quero em meu país uma democracia de costas para o futuro, se faz necessário investimento maciço na educação. A história mundial mostrou que nos últimos 70 anos os países que privilegiaram a educação, são hoje potências mundiais, desenvolvem tecnologia de ponta (motor da sociedade atual), e seus cidadãos tem consciência participativa, em síntese, só existirá democracia no Brasil no dia em que se construir no país a máquina que prepara as democracias, essa máquina é a educação pública. Nossa democracia é ostentação nacional de hipocrisia refinada, repleta de leis "Magníficas", mas feitas sempre pela elite que delas aproveita-se do início ao fim, Se ousássemos tentar ligar nossa democracia a justiça social, ela seria sua própria negação.

A verdade é que temos no Brasil uma Democracia conflituosa, com uma sociedade muito desorganizada e dividida entre integrados e marginalizados, temos aqui uma gigantesca e nefasta pobreza sócio/política, pobreza sócio/política é o pobre não saber as razões de sua condição social, é acreditar que seus problemas podem ser resolvidos com sua omissão, só pelo medíocre assistencialismo estatal ou pelo clientelismo populista. Neste país infelizmente o povo não se sente representado pelos eleitos, passados alguns messes das eleições, já não se lembra nem em quem votou, devido a isso, não esta acostumado a acompanhá-lo ou cobrar dede justiça social, o político não carrega essa culpa sozinho, problema é “mais em baixo”.

Talvez o Brasil seja o país em que mais se fala em Democracia, constantemente essa palavra é usada pelos detentores do poder, porém quando saímos da teoria e partimos para a prática, enxergamos que temos uma democracia invisível,sem cores e sem bandeira, que muitos falam mas ninguém consegue vê-la transparecer no cotidiano , diante disso, concordo taxativamente com as palavras de Filosofa de Marilena Chauí; "A Democracia, no Brasil, ainda está por ser inventada".


Cesar Amorim
cesar.c.a@hotmail.com

2 comentários:

Anônimo disse...

gostei companheiro cesar, faz bem lembrar para muita gente que não conhece nossa democracia.
seu amigo luan.

CESAR AMORIM disse...

É sempre um grande prazer ter sua ilustre visita aqui na minha "gaveta" virtual meu amigo..