Estava eu tentando raciocinar sobre o tamanho sucesso que as atuais bandas de forró fazem, é impressionante a aceitação perante o publico, sinceramente fico preocupado com relação a tal aceitação. Estamos vivendo uma época em que a liberdade muitas vezes é confundida com libertinagem, em nome da chamada modernidade, o termo “Liberdade de expressão” tem sido interpretado de forma escandalosa, nossa frágil sociedade está aceitando sem muito questionamento verdadeiras profanidades culturais.
Outro dia, tive a oportunidade de ver uma entrevista com o artista Flávio José, este lamentava e afirmava estar desmotivado para compor novas canções, dizia ele: “É duro saber que um indivíduo gritando três palavrões fará muito mais sucesso do que eu, que medito para compor ”. A própria banda Calcinha Preta cantou recentemente: “se falar de cabaré, tá estourado! Se falar que é cachaceiro, tá estourado!”. A que ponto chegamos? O ideal para as bandas de forró atuais é que os rapazes sejam “safadões” e as moças “raparigas”. Hoje vivemos uma fase terrível em termos de “gosto musical”, praticamente todos os ritmos incitam o consumo exagerado de álcool, tratam a mulher como objeto, exaltam a prostituição e a infidelidade.
São os tempos do “Forro Estilizado” como muito bem se pronunciou a respeito o grande Ariano Suassuna, e de muitos outros ritmos que se corromperam e desviaram-se de sua essência, pois se o forró está marginalizado, assim também está o Axé, o Funk, o Rock, etc. Mas fazer o que? O Axé é um símbolo da Bahia, o Forró do Nordeste, o Funk do Rio de Janeiro. Resta-nos lamentar quando temos conhecimento de que os músicos continuam marginalizando esses ritmos. Porém, a nós cabe um mínimo de bom senso para separar o joio do trigo, afinal, a música brasileira tem uma diversidade maravilhosa. Mas voltando ao forró...
No rastro dessa pornografia musical, para piorar, veio o modo de ouvi-la. Seja na base do “abra mala e solte o som” de Duquinha, ou do falado “paredão”, o que não faltam são sons sendo exibidos em uma espécie de competição nos mais altos volumes. Assim, além de ter a audição prejudicada pela poluição sonora, todos são obrigados a ouvir suas músicas. “Obrigados” entendido entre aspas, pois segundo o Art. 42 , III da Lei das Contravenções Penais, “a perturbação do sossego alheio, abusando de instrumentos sonoros ou sinais acústicos é crime.”
As bandas não atingem sucesso pela qualidade que possam ter. Hoje, atingem sim, pela capacidade e "criatividade" (ou seria mediocridade?) que os forrozeiros têm em dar um tom de musicalidade à idiotice parida pelas mentes sem cultura dos compositores (se é que podem ser considerados). Grande parcela desse sucesso é alcançado pelo tamanho das bundas e pelas posições acrobáticas feitas pelas bailarinas que são expostas como verdadeiros troféus saltitantes e excitantes em cima dos palcos. Até onde iremos? Para onde iremos? Nossos filhos e nós mesmos corremos algum risco? O que podemos esperar no futuro de uma geração que acha que “Lapada na rachada” é música?
Existe uma verdadeira apologia à prostituição, ao alcoolismo, a cafetinagem e a violência, principalmente contra a mulher. Sou consciente de que verei o altíssimo e não entenderei como as mulheres conseguem gostar de músicas onde constantemente são agredidas na sua honra, induzidas a serem simples objetos de prazer e símbolos da promiscuidade. Acordem.... O forró é cultura (pelo menos em tese)! Defendo que as expressões pornográficas, a vulgaridade das letras das músicas que infelizmente fazem sucesso, deveriam passar pelo menos por uma espécie de censura, tudo isso necessitaria ter um limite, estamos diante de uma degradação avassaladora. Dói profundamente na alma e no coração saber que a sociedade contemporânea infelizmente caminha de pernas abertas para esse ar tão poluído. Que não sejamos uma “Maria-vai-com-as-outras”.
2 comentários:
Até quando caminharemos para nossa auto-destruição, nobre amigo? Em verdade, você expôs uma das principais bombas intalada em nossa sociedade: a destruição musical. Platão, filósofo grego, exortou bem a necessidade de uma boa música para uma boa sociedade. Para ele, música é a união de harmonia, letra e melodia, tudo muito bem sistemático e proporcionando belos resultados. O que vemos e, principalmente, ouvimos hoje, é um retrocesso na no mundo musical, haja vista a falta de motivação dos "músicos" de estudem para, somente então, proporem verdadeiras músicas.
Muito me admira seus tesxtos sempre muito eloqüentes e objetivos.
Parabéns!
Obrigado meu Amigo, parabéns pelo trabalho que vem desempanhando na Cidade de Riacho da Cruz..
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