
Era a noite de sexta feira, por volta de meia noite, estava eu sentado no quarto sem sono e nesse negócio que chamamos de internet, onde nos conectamos com o mundo através da telinha de um computador. Comecei a pensar no que se passa na cabeça das pessoas sobre esse tal sentimento que chamamos de amor, tolice minha querer entender a mente humana, mas... Resolvi pesquisar algumas frases sobre nick de MSN, é isso mesmo, sobre MSN, aquele instrumentozinho usado por quase todo mundo. Fiquei perplexo com algumas coisas que vi, se bem que já não era novidade, a grande maioria das frases usadas pelas pessoas são de “desilusões” amorosas, reclamando do tempo perdido achando amar alguém,das paranóias dos amores nunca existentes,eram indiretas para “amores” passados, das tormentas e das cicatrizes fingem estarem curadas, mas que insistem me permanecer cravadas nas lembranças dos momentos de solidão. Hoje essas pessoas parecem tentar fugir de seus próprios anseios e procuram novos horizontes que dêem outro sentido a suas dilaceradas vidas.
Era tanta coisa, isso me fez refletir sobre tamanho mistério, será que o amor existe mesmo?(eu ficava pensando), se existe e na minha mente idealizei ser uma “coisa” boa, porque o ser humano esta sempre nesse “ai, ai, ai”...? As letras de muitas canções conhecidas e ouvidas sempre falam de relacionamentos acabados que deixaram cicatrizes imortais no mais profundo e íntimo da alma. Existem frases chamativas que realmente nos levam a reflexão, as letras do Cazuza, por exemplo, é uma agonia arrepiante.. Certa vez escreveu ; “ O amor é o ridículo da vida. A gente procura nele uma pureza impossível, uma pureza que está sempre se pondo, indo embora (...) Sorte é se abandonar e aceitar essa vaga idéia de paraíso que nos persegue, bonita e breve, como as borboletas que só vivem 24 horas” .É bem verdade que o Cazuza viveu uma depressão eterna, e qualquer um no seu lugar e com sua perturbadora inteligência escreveria isso, ele foi apenas um pequeno burguês revoltado com o sistema que o privilegiava, com certeza escreveu isso na solidão de seu “cafofo”.
Outros composigênios (que pelava é essa?) também deixaram suas definições sobre o amor em suas letras, Renato Russo escancarou; ”Se o amor é verdadeiro, não existe sofrimento”, alguém ainda disse; “Que quando o amor perde a razão, não quer saber quem vai machucar” (e o amor tem razão?). O problema não esta no amor, e sim no que as pessoas pensam ser amor, esse sentimento é tão profundo aponto de levar mentes pensantes e não pensantes a questioná-lo ou interpreta-lo de acordo com o momento vivenciado. No nosso livro Sagrado também está registrado passagens sobre tal sentimento, O apóstolo Paulo, filosofo profundo em conhecimentos, escrevendo a uma de suas Igrejas deixou passagens onde qualificava o amor, “...o amor tudo sofre,tudo crê, tudo suporta(...) não é invejoso...”.São tantos os posicionamentos sobre o amor, que só nos mostra o quanto é relativo e complexo o pensamento humano.
Enfim, analisando sob certos aspectos o pensamento e as desilusões amorosas, cheguei a uma conclusão, na verdade, na maioria dos casos o que existe é a ilusão amorosa(Digo ilusão e não desilusão,ilusão porque criamos).pois mesmo que alguém ,quando desiludido,trate de sempre colocar a culpa toda no outro,é grande a possibilidade de ele ter pelo menos, uns cinqüenta por cento de responsabilidade no desenlace relacional, e isso é perfeitamente possível porque, essas pessoas cegas pela paixão ou outro sentimento parecido, idealizam no outro tal qual ele deseja que ele fosse, passando a viver apenas com a imagem criada em sua frágil mente mortal.
Portanto, é bom sabermos ser realistas e admitirmos que se nos desiludimos é porque criamos a ilusão, são verdadeiras paranóias criadas por nossa imaginação ou por “fantasmas de nossa mente” como dizia Marx, é como a idéia do nosso primeiro relacionamento amoroso, achamos que vai durar uma eternidade, e nunca paramos para pensar que essa “eternidade” pode chegar a ter um fim, depois quando estamos mais maduros, refletimos sobre o passado vemos que aquilo era simplesmente coisa de momento, que deveríamos ter pensado e aquele “para sempre” idealizado, mais cedo ou mais tarde, ia ter um fim. A culpa não está no amor e sim no que nos achamos ser “amor”, mas isso é até natural, a mente humana quando fértil, tem essa paranóia de criar exageros e neles construir seus castelos de ilusões, nós sempre procuramos relacionamentos que caibam nos nossos sonhos, só que quase sempre esses sonhos são maiores que a realidade... Nada melhor que o tempo e a universidade da vida para sarar feridas utópicas, afinal, como dizia o nosso velho “amigo” Shakespeare, “Ninguém poderá jamais aperfeiçoar-se, senão tiver o mundo e o tempo como mestres”..
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