sábado, 28 de junho de 2008

O REALITY-SHOW NÃO PODE PARAR



Que papel importante tem a mídia (televisiva) como instrumento de informação e de entretenimento e de socialização no seio de uma sociedade no mundo atual, com o processo de interligação entre os paises, ela torna-se mais fundamental ainda, pois a mesma torna mais acessível informações vindas de toda parte do globo, porém, como quase tudo tem seu lado negativo, ela também carrega isso em cima de si, a mídia, detentora de um grande poder de manipulação no processo de formação de opiniões, como influenciadora de gostos e modismos que tomaram de conta da sociedade moderna, usa muito bem esse atributo que possui, não é atoa que no decorrer da historia da civilização ela sempre foi muito deseja a por políticos que pretendiam conquistar ou manter o poder em suas mãos, as grandes grifes da moda sempre tiveram lugar especial entre os comerciais em horários de muita audiência, e essa audiência sempre esteve atrelada a alguma programação que despertasse a curiosidade dos telespectadores, e que o segurassem em frente a telinha..
Por traz do que vemos, sempre existe muita “grana” rolando nos bastidores da mídia, e nos não devemos nos enganar, no mundo capitalista o lema é sempre nessa visão, produzir e reproduzir os meios de produção e gerar cada vez mais lucros, o que a mídia quer acima de qualquer coisa é acumulação do lucro, por traz disso ela passa a imagem apenas de fornecedora de informações, sem interesse algum, (bla..bla..bla...)sempre ela tem que está com algum Reality-show que prenda a atenção do telespectador, já repararam?Sempre existe uma “bola da vez” que se fixa na tela das emissoras de TV, e a grande maioria dos telespectadores querem estar por dentro (influenciados por ela) dos mínimos detalhes.
As novelas são um dos maiores exemplos desse processo de idiotização que a mídia faz com que a sociedade viva, se prestar-mos atenção, deixamos de viver nossa própria vida, para “viver” a vidinha dos personagens da trama, deixamos de cuidar dos nossos afazeres e ficamos plantados horas e horas de olhos arregalados vendo se no final a “mocinha vai terminar com o mocinho”para saber qual será a penalidade do vilão, muito embora sabendo que o final acaba sempre assim;” e viveram felizes para sempre”, é sempre a mesmice, porém nossa vida continua a mesma,nada mudou depois do transe idiotizante que tomamos no camarim de nossas poltronas.
E em épocas de Copa do mundo?A maracutaia toma proporções incalculáveis. O ano de 2006 foi exemplo, estávamos vivendo um período delicado na historia política desse País, entes da copa só se falava no famoso mensalão, parecia até que o País passava por um dos piores episódios de sua história, quase superior a desgraça da ditadura militar (Estou exagerando, o mensalão sempre existiu e é um absurdo comparações com a ditadura, só que agora era divulgado) o problema foi que quando começou a Copa, a imprensa desviou a atenção do mensalão e jogou todas as suas cartas no esporte da paz, da igualdade, da fraternidade etc, etc e tal.. (Nada contra o esporte), lógico do muito mais dinheiro falar de futebol que de política, recordo-me de uma reportagem em um País muito pobre da áfrica com IDH (Índice de desenvolvimento humano) lá em baixo, o repórter afirmava todo empolgado;” o futebol mudando a historia desse País”,e eu lá,(Mudando uma porra), a vida desses pobres desgraçados, vitimas da exploração capitalista continuará daí para pior,a não ser que os Sheiks dos gramados resolvam fazer alguma coisa,(Cá pra nós, você acha que eles estão preocupados com a África?)..
Outro exemplo bem gritante é o caso da menina Isabella Nordoni, terminada mais uma edição do Big Brother Brasil, entra no ar uma outra novela da vida real. Só que, desta vez, ao invés das trivialidades do dia-a-dia de um grupo de jovens, a trama do espetáculo é a morte trágica de uma menina de 5 anos de idade,todos os programas de TV continuam na mesma ladainha, Para aplacar tamanha avidez por novidades, haja exposição do tema na mídia. Todos os dias, a estorinha da morte da criança é contada e recontada, na TV, no rádio, na internet e nos jornais impressos, do mesmo modo como é tratado o resultado do “paredão”, uma partida de futebol decisiva, um capítulo final de novela ou mesmo um detalhe picante da vida de uma “celebridade” televisiva, agora todo mundo é investigador policial. Cada pessoa tem sua própria versão para responder a pergunta do momento: “quem matou Isabella?”. Desde o assassinato de Tais, personagem da novela Paraíso Tropical, o brasileiro não exercitava tanto sua lógica investigativa, O fato é que aproximadamente 800 crianças são assassinadas por ano só no Brasil e nossa mídia armou um palco enorme para somente um desses casos, Enquanto os telespectadores se distraem com esse show, outras dezenas de crianças morrem assassinadas e esquecidas em uma pequena nota de um jornal regional, as “Isabellas da vida” estão sendo espancadas ou sem um pão para comer, jogadas nas calçadas e muitas vezes esse telespectador que se choca com o Show da imprensa passa quase pisando e não tem coragem nem se quer de estender a mão e lhe dar um pedaço de pão,parece que naturalizamos a pobreza, enquanto isso os envolvidos no caso viram verdadeiras celebridades, participam de shows tirando fotos ao lado de “fãs” que viajam kilômetros até a porta da delegacia para profanar os suspeitos, jogarem pedras e aparecerem na televisão como macacos saltitantes ou pequenos “papagaios-da-imprensa”.
O certo
é que a mídia sempre precisa de um tema palpitante para noticiar. Pode ser um escândalo político, um desastre... Depois do desastre aéreo da Tam e da seqüência de escândalos políticos do mensalão, da copa do mundo, o caso dos cartões corporativos e do caso Renan, tentou-se emplacar o escândalo do dossiê, com a ministra Dilma Rousseff como personagem principal e o PT como coadjuvante. Porém o tema era de pouco apelo popular, faltava algo mais apimentado que chamasse a atenção de todas as classes sociais, então a tragédia com a menina Isabella caiu como uma lupa e no momento certo para ocupar o espaço principal dos noticiários, ai depois desses episódios de grande exposição, depois de ter explorado cada tema até a exaustão, os descarta. Afinal, quem, hoje, se importa com personagens como o menino João Hélio, aquele menino que foi arrastado por diversas ruas no Rio de Janeiro, preso ao cinto de segurança de um veículo, em uma morte que causou comoção semelhante a o da menina Isabella, na época se falava até que a legislação penal fosse revista, o congresso Nacional ensaiou alguma movimentação neste sentido. Mas, como em todo agendamento jornalístico, o caso se esgotou em termos de mídia antes de ser concluído e chegar aos tribunais, hoje nem se discute qual o destino dos assassinos de João Hélio, muito menos se clama por uma revisão em nosso código penal..aqui o que esta sempre valendo é.... Primeiro o espetáculo. Primeiro o IBOPE. Primeiro o dinheiro, e continuam tentando passar a visão de “tudo pelo telespectador...”.

Por César Amorim, estudante do curso de Geografia pela UERN.
César.c.a@hotmail.com

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