
Está no blog do Emir, artigo escrito pelo internacionalmente respeitado intelectual Emir Sader sobre o encontro que Lula e alguns dos seus ministros mantiveram na última segunda segunda-feira com quarenta intelectuais, debatendo temas centrais do seu governo.
Ontem disponibilizei neste espaço a primeira parte do artigo e hoje vai a segunda parte:
Lula disse que no seu governo a corrupção aparece porque não está sendo varrida para debaixo do tapete, que grande parte dos casos vinha de governos anteriores, mas hoje 90% dos casos apurados são feitos pela Procuradoria Geral da República. Que apesar dos erros reais cometidos pelo PT, o pior foram as insinuações, porque as acusações podem ser rebatidas, mas as insinuações sugerem, sem ter que provar nada.
Perguntado, Lula abordou a reforma política, que gostaria que o PT tomasse firmemente essa bandeira, que ele mesmo gostaria de reunir todos os ex-presidentes, vítimas de problemas do sistema político, para tentar promover uma reforma política, mas ele vê isso como algo muito difícil. Disse que estaria feliz de ver o fim definitivo do dinheiro nas campanhas, que deveriam ter apenas financiamento público. Que ficaria feliz com o fim dos suplentes de senadores, assim como o mandato de oito anos para os senadores.
Sobre o Paraguai, disse que a questão é delicada, que o Tratado de Itaipu não pode ser alterado, mas que não faria nada que pudesse enfraquecer Fernando Lugo como presidente, deixando entender que encontrará formas de obter os recursos que o novo presidente paraguaio reivindica, de outra maneira.
Revelou sua felicidade de que o BNDES passou a financiar pequenos e médios proprietários, inclusive as cooperativas de catadores de papel, que ele levou para encontrá-lo no Palácio da Alvorada.
Orgulhoso, manifestou que é o primeiro governo que convoca um Congresso dos GLBT (Gays, Lésbicas, Bissexuais e Travestis), a que ele compareceu, em Brasília, em junho, na abertura. Anunciou que logo sairão iniciativas que promoverão as rádios comunitárias, assim como medidas de avanço na delimitação de terras indígenas, de proteção dos trabalhadores - em particular aos jovens - na cana-de-açúcar e Dilma anunciou a política de abertura dos arquivos da ditadura, tocando, assim, em temas espinhosos de conflito com a intelectualidade.
Educação
Haddad argumentou que os avanços no plano universitário - entre a criação de novas universidades, de mais vagas para contratações, de dobrar as vagas nas universidades públicas, o ProUni, que terá quase um milhão de ingressados no fim do governo, entre outros - deveriam encontrar nos estudantes e nos professores os seus maiores defensores..
Aj uste fiscal
Quando retomou um dos temas de maior divergência com grande parte dos intelectuais, Lula revelou que, do seu ponto de vista, fez o ajuste fiscal mais duro que se poderia fazer, mas que não se arrepende, alegando que essa política conservadora, restritiva, teria sido condição da decolagem posterior do seu governo..
Seguro de si
O Lula que os intelectuais encontraram é um Lula muito seguro de si, confiante na realização do seu governo, dominando plenamente os temas que aborda - inclusive no manejo familiar com todas as cifras. A reunião - pela quantidade e qualidade de participantes, mas também pelas intervenções - mostra que foi superado o trauma da ruptura de parte da intelectualidade com o PT e com Lula. Demonstrou-se que, no marco das diferenças existentes, o diálogo é plenamente possível e uma interlocução permanente entre os dois será muito benéfica para ambos. .
Se dando conta
Lula parece convencido disso agora, ao mesmo tempo em que os intelectuais percebem que têm de se dar conta de um governo que, sem ruptura com o modelo herdado, conseguiu retomar um ciclo expansivo da economia e promover políticas sociais de distribuição de renda como nunca o país tinha vivido. .
Teorizar a prática
O desafio de fazer a teoria que o governo faz, com sua crítica e propostas de superação dos problemas, assim como de defender as conquistas e buscar sua extensão e aprofundamento. Os espaços começam a ser criados para que o governo tenha nos intelectuais aliados críticos, mobilizados, e os intelectuais tenham no governo um interlocutor político, que, por sua vez, constantemente os interpela sobre suas responsabilidades como intelectuais com o Brasil, com a América Latina e com o sul do mundo.
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