
Meia noite e meia, dia 13 de outubro de 2009. Aqui estou eu, no outro extremo do estado do Rio grande do Norte (Nova Cruz), depois de uma semana longe de casa, uma semana de absurdos normais na faculdade, de pessoas novas, talvez vida nova, enfim; coisas novas... O novo é sempre bom e até necessário em nossas vidas, o novo nos mostra quem realmente somos diante do que não conhecíamos , mostra que sempre podemos ver/ter e conhecer mais. Contudo o novo também nos faz refletir, refletir sobre o velho, o distante, ou talvez o passado (ou os passados) ou o quase presente. Vagabundando pelo mundo virtual eu me encontro (ou reencontro) com a letra da música Retrovisor, do cearense Raimundo Fagner, se essa letra messiânica já me fez refletir muito na minha vida, imagine agora, quando eu estou com um enorme banzo (Saudade da terra natal/Passado/ausência). Ouso-a lentamente e a leio, é como se pela minha cabeça passasse um verdadeiro Hollywood de pensamentos. Nessa hora meu coração começa a bater mais forte como se fosse sair do peito e tentar caminhar na contramão desse futuro que me espera.
A música continua fazendo-me lembrar de muitos momentos, em especial dos amores vividos e jogados na gaveta do esquecimento, dos amores talvez deixados para traz por circunstancias e momentos existências pelos quais passei, amores especiais que minha inconstância humana não me deixou amar e corresponde-los como deveria.Também me vem a tona os amores que não conseguiram me corresponder e não me deixaram vive-los, aqueles que me forçaram a reconhecer minha impotência, tudo faz parte dessa nossa eterna busca pela felicidade. São tantos os “porquês” inundados de sentimentos que surgem em minha frágil mente mortal que as palavras talvez não sejam capazes de descrevê-los, e se existir uma palavra que possa dar a explicação , essa é sem dúvida ;SAUDADE. Saudade que por não caber no peito, escorre lentamente pelos olhos se transformando em lagrimas; Saudade das oportunidades desperdiçadas, de tantos segredos guardados no baú do tempo até hoje, das mentiras e juras de amor feitas por alguma causa que parecia justa, dos olhares das sereias que mergulharam no mar das desilusões. Saudade até das dúvidas e inseguranças de minhas emoções descartáveis que o tempo não reciclou, enfim; dos momentos que a ferrugem do tempo não os consumirá. Tudo saudade...
Ao mesmo tempo em que esse filme passa em minha mente, tento olhar profundamente para o futuro, e até vejo sinais dele, porém de forma muito superficial (não sou profeta), são sinais cheios de dúvidas, de incertezas que me fazem sentir o mais humano dos seres humanos, tento enxergar o horizonte que me aguarda e me pergunto, o que ele reserva para mim? Quais são emoções que virão ao longo dessa caminhada pelos bosques vida? Mas não vejo nada mais do que uma estrada que preciso percorrê-la, nada mais do que folhas em branco que necessitam de ser escritas palas mãos do destino, navegar é preciso. É ai onde enxergo minha missão, a de desbravar os caminhos mais extremos da existência, mergulhar nos labirintos do futuro sem medo de abraçá-lo. Alguém já disse que o futuro pertence aqueles que ousam conhecê-lo, e é com essa linha de pensamento que o procuro ver, é na fonte dessas palavras que tenho que procurar me alimentar e me preparar para a imensa batalha apocalíptica que me aguarda.
Diante de tudo isso, a dúvida e saudade só crescem, a subjetividade reina diante da temporalidade das coisas. Será que meus passados passaram mesmo? Ou estão vivos e apenas adormecidos pela linha do tempo? Será que eles não me esperam no futuro? Se meu passado estiver no futuro, nos encontraremos de novo. Se não, ficam apenas as lembranças e a necessidade de prosseguir.Vamos em frente viver novas emoções e projetar o futuro tomando por base as experiências já vividas.Continuo seguindo meu caminho, se é certo não sei, se é errado não sei, só sei que são esses trilhos que a vida me reservou. Como disse, vejo o futuro de forma muito superficial, mas mesmo assim, tenho saudades dele e sinto que preciso encontrá-lo,tenho saudades de tudo que ainda não consegui ver. Sem porem deixar de lembrar que; “nada nesse mundo é nunca mais”, (Cazuza),e que muitas vezes o passado nos espera no futuro .Se alguém me entendeu não sei, isso pode ser até normal porque como diz a canção “alguém sentado a beira do caminho jamais entenderá o que é que eu sinto agora”...
César Amorm...
Um comentário:
Quem nunca sentiu saudades, não conseguirá imaginar o que se sente ao querer e não ter... Quem nunca sentiu saudades, não conseguirá compreender a vontade de está perto, independente da realidade que cerca... Quem nunca sentiu saudades, não conseguirá cogitar as consequencias que uma "mera" distância faz... Quem nunca sentiu saudades, não conseguirá entender o conflito entre razão e emoção! Saudades... simplesmente, saudades!
... a Saudade eterniza a presença de quem se foi, com o tempo essa dor se aquieta.Se transforma em silêncio que espera pelos braços da vida um dia um reencontrar...
Txeamo...
Adnélia kelly!
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