
É interessante o modo como à sociedade brasileira atual sente e percebe e se sensibiliza com o que acontece, a morte de Michael Jackson tem causado tanta comoção no brasileiro quando a uma copa do mundo, são dois acontecimentos diferentes, mas que analisados de uma forma psíquico-crítica geram uma espécie de sentimento que parte de algo externo para o interno das pessoas (quem lê que entenda). A mídia sempre oportunista e “caridosa” procura esmiuçar nos mínimos detalhes cada um dos fatos como se fosse algo extraordinário, estupendo ou catastrófico, as pessoas quase que como um todo agem como marionetes ou papagaios da imprensa de acordo com as características de cada acontecimento (No caso da morte , a população fica aos prantos como se Jackson representasse algo para o Brasil, No casa de uma copa do mundo, a euforia toma conta de Pais que por alguns meses pensa que é imune as cicatrizes que tem).
A morte do cantor pop tem sido divulgada repetidas vezes nos meios de comunicação dos mais variados gêneros, até mesmo muitas pessoas que antes não se identificavam com ele em vida se “identificam” agora, mesmo que essa identificação não se prolongue por pouco mais de um mês ou até menos ( quando a imprensa usar e abusar de sua morte em beneficio próprio), sem perceber o imaginário das pessoas passa a ser uma espécie de imaginário artificial criado pela marketing da tecnologia , quem antes abominava o estilo e história cheia de escândalos dos mais sarcásticos do artista , agora o vê como um ser humano exemplar que prestou um grande serviço a humanidade.
São milhões de pessoas no mundo que choram ou lamentam a morte do cantor, são muitos os brasileiros que choram e se sensibilizam com o acontecido, mas essas mesmas pessoas talvez não percebam que muitas vezes não tenham sensibilidade para olhar para um desabrigado ou para o vizinho que passa por problemas com familiar com o mesmo olhar com que olham para a “catástrofe” com Jackson, muitas vezes conseguem “ver” o mendigo na causada ou o favelado descendo o morro, mas não conseguem enxergá-los com o mesmo “olhar humano” com que olham para os noticiários da imprensa que se aproveita do acontecido “bola da vez”.
Não enxergam a fome que existe por traz dos dados estatísticos que apontam para o “crescimento” disfarçado de uma economia sucateada pelo capital estrangeiro, da auto-suficiência do petróleo que não consegue chegar à auto-suficiência do preço baixo dos combustíveis, não vêem que a nossa idéia de “democracia” tem se limitado ao papel, pois como aponta a filosofa Marilena Chauí:” a democracia no Brasil ainda está por ser inventada”. É pra isso que temos que ter sensibilidade e percepção, os dados estatísticos escondem a verdade fazendo com que o brasileiro naturalize a pobreza e a mídia golpista continua manipulado o povo brasileiro que insiste em se deixar levar pelo seu jogo sujo que faz da morte de um artista uma catástrofe, mas também faz da morte de milhões que são invisíveis aos seus holofotes apenas simples números ou dados catalogados. Quero um Brasil consciente e verdadeiramente de todos, quero um Brasil inteligente.
César Amorim..
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