segunda-feira, 23 de março de 2009

Análise do documentário " Aguerra contra a democracia".


A guerra contra a democracia


O documentário A guerra contra a democracia vem trazer a tona uma importante analise da geopolítica norte-americana no século passado e neste início de século, uma analise critica e profunda do diretor John Pilger, (É um reconhecido jornalista e escritor australiano, que se dedica á contra-informação e á denúncia das falsidades da democracia capitalista, e das atrocidades cometidas em seu nome) sobre essa política externa e suas implicações nos demais Países latino americanos.

O documentário começa com uma frase-síntese de John Pilger de tudo aquilo que irá mostrar no desenvolver das filmagens, o diretor afirma com muita veracidade que: “o grande desejo dos Eua como império moderno é de dominar todo o continente latino americano, não se contentando apenas com o quintal da sua própria casa”.

Neste importante documento áudio-visual pode-se perceber claramente como funciona a política externa dos EUA, uma política intervencionista e antidemocrática. O mesmo faz cair por terra o discurso hipócrita e a imagem que os EUA tentam passar para o mundo de que eles têm a missão divina de levar a democracia ao mundo, à visão de que eles são uma nação eleita por Deus para guiar o mundo no caminho da paz. Mostra a perseguição histórica feita por eles, não pela democracia, mas contra ela, ao contrário de levar a democracia ao mundo, eles têm feito de tudo para que isso não aconteça, tentando derrubar de todas as formas possíveis regimes democráticos legítimos, e implantar ou ajudar a implantar ditaduras das mais cruéis possíveis.

Viajando e conhecendo a fundo vários Paises do continente americano como; Venezuela, Guatemala, Nicarágua, Chile, Bolívia, El Salvador, Brasil, o Jornalista mostra as repetidas vezes na história do continente latino americano que os Estados Unidos usaram as armas para suplantar os governos democráticos, analisando cada caso e suas particularidades, nos mostra a verdadeira face de sua intervencionista da política externa, muitas vezes atuando e interagindo de forma muito próxima com as diversas ditaduras apoiadas pela própria Casa Branca. Quando uso o termo interação muito próxima, me refiro aos mecanismos claramente desumanos como as práticas de tortura, aos livros com todas as técnicas de tortura que eram enviados dos EUA para os países onde estavam intervendo direta ou indiretamente, aos vários oficiais de polícia treinados nas escolas norte-americanas para atuarem de acordo com suas vontades etc.

Em particular, o documentário mostra detalhadamente a situação vivida no ano de 2002 pela Venezuela, onde os EUA acharam dar um golpe de estado definitivo no governo do Presidente Hugo Chaves, derrubando por certo período, tentando criar a idéia através de uma mídia tendenciosa de que o povo daquele País é que tinha ido as ruas para derruba-lo do poder e que eles, os EUA não tinha participação alguma no movimento, tudo isso desmascarado depois por próprios documentos da CIA e de relatórios do governo Bush que provaram que muito dinheiro saiu dos cofres de Washington para apoiar os golpistas e que tudo tinha sido cuidadosamente planejado . Frisa muito bem a questão dos antagonismos sociais e ideológicos entre as classes, mostrando através de entrevistas com ambas as partes as variadas maneiras de ver tanto a política norte-americana como a do Presidente Chaves. Onde a classe média adota o American Way of Life (estilo de vida americano), enquanto a classe baixa ou classe trabalhadora vive satisfeita com seu governo.

Explorando dentre outras intervenções, também uma das, senão a mais cruel das ditaduras militares já vistas em solo latino americano, a do General Augusto Pinochet, no Chile, logo depois de derrubarem do poder o Presidente Salvador Alennde, onde chegaram a fazer do Estádio Nacional um campo de concentração no ano de 1973, dizimando milhares de vidas inocentes dentre elas artistas conhecidos como o compositor e democrata Victor Jara, e que fez infelizmente ficar cravada na história daquele País uma eterna e dolorosa cicatriz. As entrevistas cedidas por pessoas que foram torturas pela ditadura chilena apoiada pelos EUA nos deixam comovidos e ao mesmo tempo indignados ao tomar conhecimento de que um País que se diz condutor da liberdade e da paz tenha apoiado veementemente verdadeiro genocídio.Da mesma forma John Pilger, explora a situação vivida pela Bolívia e por outros paises do continente latino americano.

De acordo com o exposto na analise do presente documentário, percebe-se tamanho prejuízo causado pela política externa dos Estados Unidos aos demais países do continente latino americano, Uma política desumana capaz de absolutamente tudo para alcançar seus objetivos, suas intervenções só nos trouxeram prejuízos, os traumas psicológicos ainda flutuam pela mente daqueles que sentiram na pele a dor de serem torturados simplesmente por lutarem pelo direito a liberdade, a dor pela destruição de milhares de famílias pobres desse continente. Mas acima de tudo percebemos através desse documento que o povo latino americano é um povo vencedor que não cruzou até hoje os braços para o imperialismo norte americano, não se rendeu mesmo em meio as mais diversas adversidades, nunca deixou de sonhar e lutar pela verdadeira democracia.


"Democracia ou serve para todos ou não serve para nada.”
Betinho.


“Os poderosos podem matar uma, duas ou até três rosas, mas jamais deterão a primavera.”

Che Guevara.
cesar.c.a@hotmail.com
CESAR AMORIM..

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