
Estudos científicos têm provado que no decorrer da historia o homem tem evoluído significativamente, seja no âmbito biológico ou no de domínio de novas tecnologias, uma coisa é certa, a humanidade chegou a um patamar que talvez ela mesma duvida-se, hoje o domínio da ciência aliado a expansão capitalista tem proporcionado ao ser humano verdadeiros triunfos, conseguimos pisar o solo da lua, multiplicamos a produção de alimentos, conseguimos cultivar solos sem nutrientes necessários, graças à capacidade de criar fertilizantes sintéticos do mais alto grau tecnológico em laboratórios, criamos meios de comunicação onde sabemos noticias de todo o planeta apenas através de um clic de um mouse, conseguimos nos deslocar para os lugares mais longínquos em pouco tempo através de aeronaves cada vez mais velozes,desenvolvemos até armas químicas de destruição em massa que poderiam destruir megalópoles em apenas poucos segundos, enfim , o ser humano extrapolou todos os limites inimagináveis até pelos deuses.
Apesar de Todos esses avanços conquistados pela humanidade, infelizmente existem aspectos negativos, muitos dessas novas tecnologias são usados contra o próprio ser criador, é a velha máxima de que “A criatura se volta contra o criador”,mas o que quero chamar atenção aqui não é essa revolta de criatura contra criador, o que quero denunciar a maior de todas as agressões que a humanidade tem feito, a inigualável agressão contra o meio ambiente e que perece que esse aos poucos tem reagido em um jogo do, “aqui se faz...aqui se paga”. Aqueles que gostam de aplicar critérios antropomórficos a tudo diriam que a natureza se vinga sempre que é atingida, não, ela não tem esse sentimento mesquinho de vingança, alias, nem tem sentimentos, apenas reage naturalmente contra quem a agride, a vingança da natureza nada mais é do que mera reação resultante do ataque sofrido, (toda ação corresponde uma reação em igual intensidade, isso já se sabe a séculos), Biólogos como o inglês James Lovelock acreditam que os contra-ataques da natureza são resultado de ajustes naturais que os ecossistemas do planeta estão fazendo para manter a saúde da Terra. Essa é a chamada Hipótese Gaia. Segundo ela, a Terra é um organismo dotado da capacidade de manter-se saudável e que tem compromisso com todas as formas de vida e não com apenas uma delas, (O homem) basta pensar-mos nos tamanhos furacões e ciclones ocorridos em todo o mundo, nada foi provado ainda, mas acreditasse que esses fenômenos se devem as alterações climáticas ocorridas no ultimo século e que vem se desmembrando significativamente nesse inicio de milênio... Por ironia do destino uma das regiões mais atingidas por essas catástrofes naturais e a parte noroeste do globo, onde se localiza a maior potência do mundo também em agressões ambientais, os Estados Unidos da América, maior emissor de gás carbônico (Co2) do planeta, essas catástrofes tem feito com que os nossos “irmãos” do norte gastem boa parte do seu tesouro com reparo de estragos nas regiões atingidas pelos “catrinas da vida”, quanto a essa questão de queima de combustíveis fosseis e consequentemente almento do Co2, nosso país é até exemplo para o mundo com nosso biocombustivel.
Porém o meio ambiente não se trata apenas da atmosfera, se trata de um todo onde existe vida, porém esse todo tem algumas frações que parecem estar esquecidas, no Brasil também temos nossos descasos com a natureza, não ficamos impunes quanto à questão de sua de agressão e invasão, basta lembrar-mos do intenso desmatamento de nossa tão valiosa Amazônia, e a falta de uma fiscalização mais concreta as suas fronteiras, ou da falta de planejamento urbano em nossas pequenas, grandes e medias cidades desse imenso território, onde essa falta de planejamento tem sido denunciada nesse período de fortes precipitações pluviométricas, Mossoró é exemplo disso, onde recentemente seus habitantes têm sofrido na pele as agonias do descaso, e alguns sem elementos sem o devido preparo cientifico chegam a dizer;” o rio invadiu a cidade”, a verdade é que não foi o rio ou a natureza que invadiu a cidade, foi a cidade que muito antes se apossou das margens do rio e hoje ele a apenas tenta seguir seu curso e tem encontrado essa barreira criada pela falta de planejamento a que Mossoró foi submetido no decorrer do tempo, e o rio quando não encontra espaço para seguir seu curso natural tem que passar por cima de tudo que encontra, inclusive casas e pequenas plantações.
Essas fortes precipitações que tem castigado nosso sertão estão nos mostrando, essa verdade à cerca dos anos de degradação ambiental que nós temos promovido sobre nossos mananciais hídricos, Quantas famílias já não perderam tudo, inclusive a esperança de garantir seu sustento anual com o fruto da colheita de seus roçados?o coitado do sertanejo é quem tem pago o preço da falta de cuidado por parte dos órgãos públicos, aquele homem simples que não tem instrução, que não teve acesso a educação formal, que tem de matar um “leão” por dia, de sol a sol, para poder sobreviver aos extremos do sertão nordestino é a grande vitima de tudo aquilo que os ditos instruídos não tem feito para amenizar esse problema de vandalismo ambiental praticado por empresas e pelo estado a cada dia.
As chuvas que estão caindo no nosso sertão, até bem pouco tempo atrás eram vistas como uma benção de Deus, pois estavam possibilitando a cheia dos açudes e a esperança de um ano de boas colheitas na agricultura. Porém, a fé do nordestino com relação às chuvas não apenas se configurou como uma verdade, como surtiu efeito contrário ao desejo do sofrido homem do sertão, que agora vê sua lavoura sendo lavada pelas águas da tão esperada chuva. Não bastasse sua lavoura, as chuvas estão varrendo do mapa suas casas, sua vida, sua história. Este recado da natureza, que colocou mais de 30 cidades potiguares em estado de calamidade pública, que tirou a vida de três pessoas e deixou mais de duas mil pessoas desabrigadas, sirva para o Estado perceber que não será a construção de pontes de 165 milhões de reais que evitaram tragédias como esta, e que o Estado precisa investir na revitalização de nossas bacias hidrográficas. É preciso recuperar (urgentemente) os rios através da desobstrução dos canais fluviais com investimentos em dragagem e recomposição das matas ciliares, os nossos rios perderam sua capacidade de drenar as águas que por eles deveriam correr, pois os mesmos também estão assoreados. O assoreamento dos canais fluviais possibilita justamente o transbordamento das águas nos períodos de grande invernada (como o atual), com o espraiamente do espelho d'água. A destruição das margens dos rios, com a retirada da mata ciliar, possibilita que cada vez mais, mais material seja carreado para o leito do rio, ampliando seu processo de assoreamento.
César Amorim, Estudante do curso de Geografia pela UERN.
César.c.a@hotmail.com
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